Depois das festas de fim de ano nada melhor do que se desintoxicar com sessões de meditação, banhos, caminhadas e vivências.

Acordar às 6 da manhã com o bater do sino que anuncia o nascer do dia. Em grupos, todos se dirigem para a frente da casa de meditação, onde vão alongar o corpo, com atividades bem leves. Os movimentos são desenhados no ar. A grama molhada desperta todos os sentidos, sob o comando de Fátima Tolentino, psicóloga transpessoal e junguiana, com formação em psicodrama, música, bio­dança, expressão corporal e arteterapia. O céu azul de janeiro mostra a sua intensidade aos participantes da Semana da Imersão da Consciência. Até os calangos querem se aquecer ao sol desse lugar em que o tempo é um convite ao silêncio. Quem fala mais alto, no Instituto Renascer da Consciência, em Ravena, Sabará, é a natureza, em todo o seu esplendor, com pássaros e até animais selvagens que resfolegam ao longe. Todos entram na casa da meditação, conduzidos pela psicóloga Gislaine D’Assumpção, que vai se dedicar aos exercícios de perdão e libertação e ao encontro com o eu mais profundo de cada um.

Está na hora do café da manhã, preparado pelas cozinheiras, sob os acordes dos cantos gregorianos: frutas, cará com melado e coalhada, granola, pães feitos em casa, geléias, queijos, sucos, chás, café, flores nas mesas. As atividades do dia começam com um banho no lago do renascimento, para liberar todas as emoções que não foram boas no ano que passou: sofrimento, dor, frustração, desamor. O primeiro dia da semana inclui andar no labirinto para curar as feridas do coração, resgatar a criança que existe dentro de cada um, aprender a geometria sagrada, entre outras vivências, que vão levar a paz de espírito.

Quer mais? Pela BR-040, quem quer começar bem o ano tem também o Sítio Sertãozinho, em Moeda, região central de Minas, onde estará acontecendo a Semana de Desintoxicação e Revitalização. Os anfitriões são Magdala Guedes e Orestes Ferreira Lúcio. São sete hectares de natureza “Nesse lugar, as pessoas vêm em busca do silêncio interno de cada um”. É como se, de repente, elas tirassem o véu dos olhos, o tampão dos ouvidos, para sintonizar com outros sons e festejar a mãe-terra, através de banhos de ervas e de flores, jornadas com os cristais, rituais do fogo sagrado, cestaria, tear e alimentação orgânica, produzida no próprio sítio e feita em fogão a lenha, com os mágicos temperos de Magui.

No sítio Sertãozinho, a 3 quilômetros de Moeda, região central do Estado, a Semana de Desintoxicação e Revitalização vai começar no dia 24. Nada de levar a cidade para o campo, com som alto, lixo, preocupação, controle e sofrimento. “A conexão com a natureza é tão curativa que nos leva a uma força maior” diz Magdala Guedes (Magui), que será a guia nesta viagem pelos caminhos da purificação do corpo e da alma. Ela sabe do que está falando, pois há dez anos resolveu sair da cidade, para morar no campo e aprender a ouvir silêncio. “Quanto mais silêncio, mais verdade e essência”.

Ela encontrou a sua montanha em Moeda. “Vim para cá com uma profunda vontade de semear, mas sem nenhuma certeza da colheita. É assim que eu me sinto, uma semeadora. Semeio muito, mas sei que algumas sementes vão nascer outras não. Outras vão crescer com vigor, mas algumas se perderão pelo caminho, pois esse era o tempo delas. Mesmo assim, continuo semeando”.

No canteiro de Magui, tudo está em equilíbrio. Primeiro, foi o ritual do pão que ela aprendeu a fazer com as melhores intenções, para transformar a vida das pessoas. Com a demanda, construiu uma pousada aconchegante para quem precisa de descanso e paz, seja física, mental, emocional ou espiritual. A Semana de Desintoxicação e Revitalização surgiu com o apoio de uma equipe de profissionais: a arteterapeuta Maria Blandina Couto de Melo; a terapeuta de cristais e da técnica de massagem Bowen, Rackel Ferraz de Oliveira; Irene Ziviani, especialista em consciência corporal; a médica e homeopata Acely Hovelacque, e a nutricionista Débora Simões Felix.

É assim que Magui ajuda as pessoas que estão sem a energia vital. “A semana da revitalização é para quem se permite ser tocado por esse calor que habita em nossos corações, por esse fogo interno, por essa terra renovada, por essa criança criativa e fecunda que temos dentro de nós e por essa água que dá passagem ao novo. Essa é a religião que eu professo, porque ela religa cada um com o seu deus interno.”

Os participantes são recebidos por Magui com um banho de ducha, sal grosso e escaldapés. Ninguém sai de lá a mesma pessoa, depois de entrar em contato com toda a energia que flui no Sertãozinho. É o encontro com o sensorial, a essência, a fluidez e a expansão do ser. “Ela cobre a gente de mimos”, garante a advogada Helta Yedda, de 50 anos, que se deu de presente uma estada no Sítio Sertãozinho. “Magui pensa até nas compressas no fígado para desintoxicar depois do almoço. Têm também a sesta para recuperar as energias, a fogueira, os banhos nas piscinas repletas de flores.”

A advogada estava passando por um momento difícil na vida e achou que era uma boa oportunidade para dar uma parada e relaxar. “Eu merecia descansar e recuperar as energias perdidas. Cheguei no sítio muito angustiada, sentindo dores pelo corpo todo, mas logo estava melhor. Foram longas caminhadas ao ar livre, massagens, muita arte, expressão corporal e os imperdíveis banhos de ervas que nos levam ao paraíso explica Helta.

Para desintoxicar o organismo, muito líquido. “Os chás e sucos são de folhas e frutos da plantação orgânica do sítio, com combinações para refrescar até a alma. O dia inteiro a gente toma sucos e chás para limpar o corpo das impurezas da cidade. Nada de enlatados, comida congelada ou pressa. Tudo no sítio é feito com calma, num ritual de purificação. Até os quartos são pintados com as cores certas, para tranqüilizar, transcender abrir o coração, cultivar os sonhos. Saí renovada e sempre que posso volto para repetir essa dose de energia pura.”

O ritual da comida também é estonteante, segundo Helta. “Tudo é preparado para que a gente sinta a leveza dos aromas, os sabores múltiplos. O cardápio é variado e preparado com alimentos cultivados, em sua maioria, no próprio sitio. A predominância da alimentação é de verduras e legumes, mas com o toque especial da Magui, que vai buscar na horta e no pomar os ingredientes das refeições”.
Estado de Minas – Janeiro de 2005
Reportagem – Déa Januzzi


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