Marilene Antunes
- Janeiro de 2011
Anotações
Penso cada vez mais, no quanto uma formação, pode e tende a ser multiplicadora de pré-conceitos.
Algumas abordagens, nas mais diversas vertentes psicológicas, são quase desconhecidas, as vezes menosprezadas por muitos,inclusive, por profissionais que atuando nestas, não expõe na totalidade a que esta se propõe, e a falta de informação é o que normalmente, mantém crenças equivocadas e discriminações.
Observando atentamente ,aqui no "Sertãozinho", durante as longas conversas despretensiosas de "Magdala"( nome de legítima força e que me fez questionar, por que teria sido reduzido a "Magui"...), figura forte,intensa, que olha muito...e profundamente, tornando-se assim, presente em cada canto deste lugar.
Esta mulher ao abrir a boca, conta histórias...várias; fala dos reflexos do homem na natureza e dos reflexos da natureza no homem, nos aproximando de tal forma ao nosso próprio ser que, de forma sutil e quase "sem querer", nos diz da relação do sujeito com a falta, e com propriedade, aponta os revezes, dos caminhos que o sujeito percorre, atrás, ou à "frente", de seu objeto de desejo...
Descreve a inquietação feminina, e a dor vivida pelas mulheres neste caminho.
Ela também nos diz sobre o quanto sofrem os homens, e olha pra eles,terna e maternalmente, como se os pudesse curar com um abraço.
Fala do seu eleito,Orestes, com um respeito,admiração e gratidão, difíceis de se ouvir nos dias de hoje.
E Assim Magdala,cultuada por alguns e vista com estranheza para outros,deixa claro, dia após dia, "é de carne e osso",tão humana quanto nós.
E exatamente por isso,e provavelmente por ter vivido, sua humanidade tal qual descreveu em comoventes histórias,pôde me falar de conceitos já conhecidos e trabalhados por mim,porém de forma bordada nas teias da aranha,nos prantos de dor dos homens que sangram por suas mulheres,nas mulheres que intuem sem questionar e tecem suas intuições,elaborando a teia de suas vidas.
Tudo isso cuidando delicadamente de traçar a linha tênue que habita em cada um de nós,entre a consciência e o inconsciente.
Que aliás, ela demonstra conhecer com intimidade, e considerar tanto ou mais,que muitos estudiosos do termo.Desta forma,torna-o quase palpável,desmistificando e simplificando para faze-lo acessível.
As "associações livres" ( todas livres), a ponto de não se lembrar do que disse a minutos atrás, são o meio pelo qual, ela traduz ( interpreta?!) o que vê e ouve de cada um.
Assim, os pré-conceitos que habitam em muitos de nós são só pré...porque os conceitos eu os vi, trabalhados aqui, nas entrelinhas do que prazerosamente, pude participar.Vi também durante este período, que durou seis dias, sua mão mostrando a direção àqueles que, perdidos no caminho,trilhavam na dúvida.
Fecho este texto profundamente agradecida.E livre das dúvidas e mensagens pré-concebidas, sobre as inúmeras formas de se abordar o sujeito, tão diferente, que vive em cada um.Levo comigo ainda, a sensação de leveza e verdadeira revitalização,proporcionadas por cada uma das atividades;banhos;caminhadas;descanso e maravilhoso cardápio,além da beleza deste lugar!
Minha prática tão diferente na condução,acaba de ganhar brilho novo.
E embora, seus moldes e aplicações não sejam alterados, sei que o ouvido atrás do divã, jamais será o mesmo e que muitos ganharão com isso!
Por meus clientes,pelos que ainda estão por vir e por mim mesma,
Obrigada, Magdala!
Agradeço ainda,a atenção, disponibilidade e carinho do Orestes e de toda a equipe!
Abraço carinhoso a todos!
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